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domingo, 1 de maio de 2016

Meryl Streep pode tudo



Ricki é vocalista da banda de rock The Flash. Até aí nada demais, não é mesmo? Acontece que Ricki já é uma senhora pra lá dos 50 anos de idade e é a única mulher da banda, formada por caras igualmente ~maduros~. E como se não bastasse, Ricki é interpretada por nada mais nada menos que Nossa Senhora Meryl Streep. Wow.

 
Ricki and The Flash conta a história dessa moça que trabalha como caixa de mercado de dia e segue o sonho de ser uma rockstar à noite, tocando em bares com sua banda. Eles tem um público cativo, mas não chegam nem perto de ser uma grande sensação da música. Tudo vai bem até o dia em que Ricki recebe uma ligação de seu ex-marido pedindo que ela vá ver a filha, que acaba de se divorciar do marido. E é aí que tudo começa.

Chegando na casa do ex, Ricki se depara com uma filha completamente crescida que ela não via há anos e absolutamente devastada. Seu ex-marido a chamou porque não sabia mais o que fazer. Aos poucos Ricki vai percebendo que o divórcio foi apenas a cereja do bolo e o buraco é bem mais embaixo quantas analogias, ao mesmo tempo em que tenta se reaproximar dos filhos e fazer as pazes com o passado.

slay queen
Quando eu ouvi falar que Meryl Streep ia fazer uma roqueira veterana no cinema eu pensei “bom, Meryl Streep pode fazer qualquer coisa, não é mesmo?”. E depois comecei a imaginar como seria o filme, achando que contaria a história de uma banda qualquer, regada a muito sexo, drogas e, claro, rock’n roll. Mas como eu estava enganada. Ricki and The Flash vai muito além disso.

Conforme vamos entrando na vida de Ricki e de sua família, algumas coisas vão se encaixando, como o porque de seus filhos a odiarem, como ela se sente em relação a isso e também o que está realmente acontecendo com Julie, sua filha (interpretada por Mamie Gummer, filha de Meryl Streep na vida real também). É muito bonito e doloroso ver Ricki tentando criar algum tipo de relacionamento com os filhos, que a desprezam por tê-los abandonado quando crianças para ir atrás de seu sonho.

olha esse filho da Ricki.........
Ao mesmo tempo, você meio que entende o ponto de vista deles, visto que ela deliberadamente escolheu não estar presente em momentos importantes de suas vidas. Porém, Ricki levanta um ponto importante: o que se espera de uma mãe e, consequentemente, da mulher. Mick Jagger tem uma penca de filhos e mesmo assim é um rockstar. Mas será que as mães desses filhos tem o mesmo direito? É claro que não. Ricki foi condenada por seus entes queridos por fazer aquilo que tantos homens fizeram antes dela sem causar nenhum reboliço.

Eu achei interessante como o filme começou de uma forma sutil, parecendo exatamente o que eu esperava que ele fosse ser, e de repente foi crescendo, crescendo até o ponto em que tudo explode na sua cara e você fica lá sentindo all the feels. E isso tudo sendo sensível e engraçado ao mesmo tempo. Eu acabei gostando muito mais do que se tivesse sido só mais uma história de banda, o que me surpreendeu. 

 
Mas é claro que a música também está lá. Meryl Streep tem uma voz divina (sinceramente, alguém ainda tinha dúvida??? Essa mulher é uma deusa) e mesmo que por algum acaso do destino você não goste do filme acho difícil, mas vai que, tenho certeza que vê-la cantando Bad Romance (!!) vai valer a pena.

Ricki and The Flash é uma história sobre música. Também é uma história sobre amor, perdão e sobre seguir os seus sonhos. Mas acima de tudo, é uma história sobre família.


sábado, 17 de agosto de 2013

The Boat That Rocked

O cenário em que se desenrola The Boat That Rocked é o mesmo de We’ll Take Manhattan (que eu já resenhei aqui), só que focado na música, é claro: a Inglaterra dos anos 60. Um país extremamente aristocrático que renegava a música pop/rock (pensem em Beatles, Rolling Stones e afins) e priorizava a música clássica. Claro que os mais jovens não estavam felizes com isso. Para satisfazer esse público, nasceram as rádios piratas.
A Radio Rock, a primeira delas, funcionava num navio ancorado no Mar do Norte e era dirigida por Quentin. Quando Carl, seu afilhado, é expulso da escola, ele é mandado para lá pela mãe porque é claro que um antro de perdição como uma rádio pirata vai endireitar alguém. Ele é bem recepcionado por todos os disk jóqueis (da onde vem o termo Dj), principalmente por Simon, que logo se torna seu melhor amigo.
Enquanto isso, em Londres, um ministro do Parlamento decide fechar a rádio por achar que é algo imoral e uma má influência sobre os jovens. Assim, ele instrui seu subordinado a encontrar alguma brecha na lei que ajude a tornar a rádio ilegal. Com isso, ele proíbe empresas britânicas de fazerem comerciais na rádio, que pode falir sem esse dinheiro. Para que isso não aconteça, Quentin traz de volta Gavin, um famoso Dj que tinha se aposentado e conta com um imenso fã clube. Os empresários não podem perder essa oportunidade, pois a rádio ganha ainda mais popularidade com a volta de Gavin, então eles passam a pagar suas contas do exterior e continuam investindo na rádio.
Porém, nem tudo são flores. Conde, um dos principais Djs da rádio, se sente ameaçado pelo comeback de Gavin e eles começam uma rixa. Nesse meio tempo, descobrimos que Carl é bv (TOM STURRIDGE BV???? I DON’T SEE THAT HAPPENING) e os outros Djs tentam ajudá-lo a mudar isso. Acontece que periodicamente, um barco leva garotas tietes ao barco da rádio para que os Djs não se sintam tão sozinhos. E é claro que eles tentam arranjar umazinha pro Carl quando isso acontece, mas não dá certo. Eventualmente, ele é apresentado a Marianne, sobrinha de Quentin, por quem ele se apaixona de imediato.
Com o passar do tempo, a rádio se torna mais e mais popular com diferentes faixas estárias e classes sociais. Além das músicas, a vida dos Djs também se torna uma atração, visto que eles narram tudo em seus programas. É claro que esse sucesso só faz enfurecer mais ainda o ministro, que não desiste de acabar com a rádio, contando com várias tentativas frustradas. Isso culmina num final eletrizante e que me matou do coração todas as vezes que eu assisti o filme. Contar mais que isso já seria spoiler, então vamos aos detalhes técnicos!
Todos os Djs são peculiares, começando por Simon, que é a pessoa mais fofa do mundo, passando por Conde, que basicamente respira música, até Gavin, que é um garanhão e é capaz de levar centenas de garotas a loucura só com o som do abrir de seu zíper. E como se isso não bastasse… TOM STURRIDGE. Gente, esse cara é um pe-ca-do. E o personagem dele, Carl, é todo inexperiente e tal. Ou seja: fofura máxima.
E o figurino do filme tá impecável! Claro que a maior parte do elenco é masculina, mas mesmo assim fica claro o perfume 60s: muito terninho e jaqueta e até cabelo tigelinha! E quando as meninas vão visitar o barco é uma festa de tubinhos, minissaias, botas brancas, cabelos de colmeia e afins. Tudo muito caprichado e bem pensado, gostei de ver!
E pesquisando sobre o filme descobri queeeeeee tchanranran  FOI INSPIRADO NUMA HISTÓRIA REAL! Na vida real, a rádio se chamava Radio Caroline e alguns dos personagens do filme foram inspirados em pessoas que realmente existiram e faziam parte da rádio. E pasme: ela ainda existe!!! Aqui vocês podem ler uma entrevista de um dos membros da rádio na década de 60 onde ele fala sobre o cotidiano do navio e sobre a época em que tudo aconteceu (vale a pena ler!).
The Boat That Rocked é um dos meus filmes favoritos. Tudo é impecável: a história, os personagens, o figurino, a trilha sonora etc etc. E quem quiser ver pode achá-lo tanto com esse nome quanto como Pirate Radio. Boa sorte!
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